Empreendedorismo cultural e criativo: 10 cursos de pós-graduação no Reino Unido

Essa semana recebi um email perguntando a respeito do Mestrado  em Empreendedorismo Cultural e Criativo que pretendo cursar. Ainda existem poucas opções como a minha - na Goldsmiths University of London - apesar de, em virtude do crescimento do setor cultural, ter havido um aumento também nos cursos de pós-graduação oferecidos, na sua grande maioria na Europa, em especial no Reino Unido. Há algumas variações no tema, alguns mais específicos em determinada área, e diferenças de cidades na qual o curso é oferecido, o que também deve ser levado em conta. A minha opção fica na cidade de Londres. Porque?


O início dos estudos em empreendedorismo no setor data dos anos 90, quando pesquisadores britânicos foram os primeiros a utilizar o conceito das indústrias criativas. O reconhecimento da importância do setor da cultura para o desenvolvimento econômico fez com que na Inglaterra, a partir de 1997, o governo de Tony Blair promovesse os primeiros projetos voltados para o fortalecimento da “economia criativa”, através de investimentos em pequenas empresas criativas, e da valorização de empreendedores do setor. Atualmente o Reino Unido é o maior exportador de Cultura no mundo, se considerarmos o percentual de seu PIB relacionado com o setor, que gira em torno de 7%. 

Além disso, Londres é uma das principais cidades do mundo, onde práticas inovadoras prosperam em ambientes interdisciplinares. Acredito que essa perspectiva internacional, através do compartilhamento de experiências com artistas de diversos países, contribuirá valiosamente para o meu ambiente de aprendizagem e também me alimentará como artista.

A minha opção é a sugestão número um, para qual já tenho o aceite. Falta agora conseguir financiar cerca de 12 mil libras para o curso, mais as despesas de um ano, além de passagem, seguro saúde, e uns passeios pela Europa, porque ninguém é de ferro!

1. Goldsmiths University of London

Londres
MA in Creative and Cultural Entrepreneurship

2. The University of Nottingham
Nottingham
MSc Cultural Studies and Entrepreneurship Masters

3. University of the Arts London

Londres
MA Fashion Entrepreneurship

4. Erasmus University Rotterdam
Rotterdam
Programme Cultural Economics and Cultural Entrepreneurship (CE & CE)

5. University of East Anglia
Londres
MA in Creative Entrepreneurship
 
8. De Montfort University
Leicester
MA Design Entrepreneurship

9. Kingston University
Londres
MA Art & the Creative Economy

10. University of Aberdeen
Aberdeen
Art and Business, M.Litt.


Pra começar sugiro que você pesquise os sites das próprias Universidades para conhecê-las um pouco melhor e ver qual o foco de cada um dos cursos. Solicite que te enviem prospectos com todos os cursos... Quase todas as universidades tem um link chamado "Request a prospectus" ou coisa parecida, e você os recebe em casa, sem custos, e sem trabalho. Se preferir há também a versão online. Daí com os prospectos em mão, você vê as opções de cursos e também outras informações importantes como forma de inscrição, custos, qual a nota da certificação IELTS necessária, além de fotos do campus, opções de lazer, esporte e vida cultural da Universidade e da cidade.

É importante que você saiba que não pesquisei à fundo a qualidade de todas essas instituições, a não ser a Goldsmiths que é a minha primeira opção. Uma sugestão é que depois de encontrar alguns cursos de interesse, você faça uma busca na Internet  em sites como The Gaurdian e RAE, para tentar descobrir qual é a reputação da Universidade e do curso escolhido. 

No mais, espero que você encontre um curso que possa te ajudar a bancar as suas ideias em arte e cultura! E se precisar de alguma dica no caminho das pedras para conseguir aceite nas instituições escolhidas, é só me escrever!

Boas pesquisas!  



The Creative Entrepreneur: plano estratégico através de imagens

Há pouco tempo conheci o trabalho da Lisa Sonora Beam, através da Internet e fiquei bastante interessada, principalmente pela abordagem que ela dá ao empreendedorismo no setor criativo. Foi daquelas surpresas, de quando você está navegando e chega a um ponto em que não sabe mais dizer como chegou até ali.. Assim acabei caindo no The Creative Entrepreneur, que divulga o livro de Lisa, de mesmo nome. Acabei comprando o livro de cara, sem ter certeza se seria uma boa ideia, o que fez a surpresa ser mais agradável ainda com a chegada do livro.


Lisa tem uma carreira bastante heterogênea, o que lhe permitiu criar uma metodologia muito interessante para o desenvolvimento de artistas interessados em empreender. Ela, além de ser artista plástica de técnicas mistas, é escritora e fundadora de uma empresa chamada Digital Hive EcoLogical Design, e tem um MBA em Sustainable Enterprise. Se você entende bem o inglês, pode ouvir uma entrevista com Lisa sobre o tema.


Segundo Lisa, artistas precisam de uma abordagem diferenciada para desenvolver competências no mundo dos negócios, pois a maioria deles não possuem as características necessárias para conseguir viver do que gostam. E as abordagens existentes não levam em conta as especificidades de trabalhadores do setor criativo. E foi aí que ela viu negócio! Lisa escreveu o livro e ministra workshops, não só nos Estados Unidos, aplicando sua metodologia. O que essa metodologia tem de tão especial? Lisa usa linguagem de artista pra falar do mundo dos negócios. No livro ela propõe uma série de exercícios práticos, que são realizados na forma de jornal visual, mas que ao final acabam desenhando um tipo diferente de plano estratégico. Bonito, artístico, visual... porque segundo citação de Carl Jung presente no próprio livro “The soul speaks in image” ou “A alma fala através de imagens”.


Há dois meses iniciei a minha leitura do livro e com ela o meu jornal visual. Confesso que toma tempo, mas é tão prazeroso que chega a ser terapêutico.


Um dos primeiros exercícios propostos por ela sugere o desenho da Cretive Entrepreneur Mandala. Nela você descreve, e com isso descobre, quais são, para você, os quatro fluxos necessários para alcançar um negócio no setor cultural/criativo, que seja ao mesmo tempo prazeroso, verdadeiro e rentável, ou seja, capaz de te manter financeiramente.


Os quatro fluxos da mandala apontados por ela que eu traduzo livremente são:


1. Heart / Meaning - amor e significado: ensina a descobrir o que se ama, diminuindo sua possibilidade de falhar. São algumas perguntas a serem respondidas:
- O que te faz mover-se como artista?
- O que dá significado a sua vida?
- O que você faz com amor e poderia fazer pelo resto da vida com prazer?
- Qual é seu sonho como artista?
- O que você valoriza?


2. Gifts / Flow - dom e fluidez: revela quais são seus dons inatos e como descortiná-los para alcançar seus objetivos. São algumas perguntas a serem respondidas:
- O que você sabe fazer tão bem que mal te dá trabalho?
- O que é fácil e natural para você?
- O que você faz e fica por horas absorvido sem perceber?
- Quais são as coisas que você faz melhor do que ninguém?


3. Value / Profitability - valor e rentabilidade:  colabora para criar uma negócio que seja centrado em alguma necessidade do seu público e como fornecer valor a partir do que você faz. São algumas perguntas a serem respondidas:
- Qual o problema que meu negócio pode resolver?
- O que meu negócio pode fazer melhor que seus potenciais concorrentes?/
- Como posso ajudar meus clientes com o que forneço?
- Como posso encantar meus clientes com o que faço?


4. Skills / Tools - competências e ferramentas:  revela quais são as ferramentas que eu tenho ou preciso desenvolver para alcançar minhas capacidades de liderança no que quero fazer. São algumas perguntas a serem respondidas: 
- Quais são ferramentas importantes para ser bem sucedido no que eu faço?
- Quais capacidades de liderança eu devo ter para alcançar o que desejo?
- Como posso conseguir as competências e ferramentas necessárias que não possuo?
- Como posso valorizar as competências e ferramentas necessárias que já possuo?


Sugiro que, como exercício, você experimente fazer as primeiras cinco páginas do seu jornal visual, assim como fiz as minhas. E claro, se gostar, compre o livro da Lisa. Garanto que a experiência é reveladora e muito prazerosa para nós artistas que estamos procurando uma forma de viver do que amamos. Um conselho da Lisa que reproduzo aqui é: não se preocupe em como o seu jornal visual vai acabar ficando, principalmente se você não domina técnicas de colagem e pintura. Apenas vá fazendo... Junte o que já possui em casa, lápis de cera, carimbos, tinta escolar, adesivos, recortes de revista e vá fazendo, sem julgamentos de valor. E se fizer, me conte como ficou!

 Minha mandala pessoal...

O que dá valor à minha vida?
 

 O que sei fazer? 

De quais ferramentas preciso?

Como transformar isso tudo em algo rentável?

Então, mãos à obra!

Faça contato, câmbio!

Rafaela Cappai
rafaela@espaconave.org
+55 31-9706-5541 / +55 11 9181-7125
MSN: rafacappai@hotmail.com



Na cabine de comando

Sou atriz, bailarina, jornalista e empreendedora cultural. Tenho especialização em Marketing e nesse momento me preparo para um Mestrado em Empreendedorismo Cultural e Criativo, em Londres. Sou praticante de Parkour, tenho me apaixonado cada vez mais por cinema e fotografia, e trabalho como freelancer em gestão de projetos culturais e eventos. 

Mais do mesmo:
PKMAX Parkour
Meu blog pessoal
Youtube
Twitter

Facebook
Orkut 







A Espaçonave

A Espaçonave é um ponto de encontro de empreendedores culturais e aqueles interessados em empreender. Sempre sobre o viés prático, queremos colaborar para estimular a criação, organização, gestão e sustentabilidade de ideias e empreendimentos culturais, através de conteúdos relevantes. O objetivo é refletir sobre o papel do empreendedor cultural como mobilizador de recursos criativos e econômicos e de sobre sua importância como articulador de redes sociais. Aqui empreendedores, em ação ou interessados em agir, irão encontrar dicas, canais, modos de fazer, ideias, entrevistas com empreendedores culturais de sucesso e muito mais conteúdo sobre o tema. Embarque conosco nessa viagem!