Empreendedor cultural: 10 sites pra ficar bem informado #1


Uma característica de grande importância para empreendedores é a constante e ininterrupta busca constante de informações. Para nós artistas, isso se traduz em saber o que outros estão produzindo, como o estão fazendo, quem estreou tal espetáculo, quem está trabalhando com quem. Mas não basta pesquisar apenas o lado artístico da questão, é vital saber também como o mercado cultural tem funcionado, quais regulamentações vão alterar seu funcionamento - como é o caso da atual mudança na Lei Rouanet - quais Editais estão abertos, quais vão ser lançados. Precisamos ler cadernos de Cultura de jornais, visitar sites especializados, ir ao teatro, assistir shows, ler livros, conversar com outros artistas, ter uma rede de contatos relevante e abrangente. E pesquisar sobre empreendedorismo, gestão, marketing, relacionamento. Enfim, muito trabalho pra ficar por dentro de quaisquer informações que nos tragam idéias, soluções, parcerias, possibilidades... A lista não acaba nunca, e esse trabalho também não!

Eu particularmente utilizo a Internet para grande parte das minhas buscas e diariamente faço um apanhado de emails e newsletters que recebo, atualizações de grupos  de discussão dos quais faço parte, e dou uma boa passada de olhos nos meus Twitter e Facebook, para ver o que foi publicado de relevante pelas pessoas que sigo. Mais recentemente tenho utilizado também um leitor de RSS que agiliza, em muito, o meu trabalho. Funciona assim: eu me cadastro em vários sites e blogs que tenho interesse, e fico sabendo, através do programa, assim que algo novo é postado. A interface dele é quase como a de um leitor de email, super fácil de entender. Eu particularmente utilizo o NetNewsWire, mas atualmente existem diversas opções em diferentes plataformas. A grande maioria dos sites atualmente já inclui a opção de seguir por RSS, facilitando nosso trabalho.

Normalmente separo uma hora do meu dia pra essa tarefa. Por uma hora, quero dizer 60 minutos contados e não por um certo período de tempo. Às vezes faço na hora do almoço, outras ao final do dia de trabalho. Porque é determinante estipular um limite de tempo? Porque a Internet é um saco sem fundo e normalmente uma coisa vai levando à outra e quando você vê, já "perdeu" uma tarde inteira navegando e encontrando coisas do seu interese. Mesmo que essa tarefa seja super importante, ela não pode atrapalhar sua produtividade para outras coisas, correto?

Hoje o blog Acesso, que acompanho por RSS, facilitou nossa vida e publicou uma lista de várias fontes de informações culturais disponíveis na Internet. Alguns eu já conhecia, outros passarei a frequentar agora para conhecer melhor. Listo abaixo algumas fontes sugeridas pelo blog, e outras incluídas por mim mesma, para que você conheça e pesquise. Uma boa dica é assinar ou adicionar ( por RSS, Twitter, Facebook, newsletter etc) de cara, caso você tenha gostado do jeitinho do site. Daí, com o tempo, a medida que as atualizações, newsletters e/ou tweets forem chegando, você vê se trazem informações importantes e filtra o que não te agrada, cancelando as assinaturas. Esse filtro eu faço constantemente também, porque senão a lista fica enorme e você nem consegue acompanhar tudo, e acaba sentindo aquela sensação de opressão pelo excesso de informações.

Seguem então algumas sugestões, para adicionar ao RSS, Twitter ou qualquer outra forma que facilite sua pesquisa:

Dicas do blog Acesso:

Cronópios, da Bitnik Comunicação Online: notícias e artigos mais longos e bem elaborados sobre literatura e arte;


Publicações online do Centro Cultural São Paulo: notícias, artigos, acervos e pesquisas sobre cultura em geral;

Cultura e Mercado, da Brant Associados: notícias e artigos sobre acontecimentos relevantes para a atividade cultural;

Revista Continuum do Itaú Cultural: mapeamento, difusão e reflexão a respeito de manifestações artístico-intelectuais.







Dicas da Espaçonave:

Página de Editais do Minc: eu paticularmente desisti de assinar todo o feed do Minc, porque é tanta notícia - até agenda diária do Ministro - que não dá pra acompanhar tudo. Preferi me inscrever em algumas seções e recomendo a página de Editais, optando pelos em aberto. Sempre que pintar uma nova oportunidade, você ficará sabendo!

Intermedi@rt: pra quem lê em espanhol, voltada para o setor audiovisual. Tem opções de bolsas de estudos, festivais em toda a América Latina, concursos e vagas de trabalho.

Duo Informação e Cultura: a Duo possui uma opção de cadastro de endereços para receber clipping de notícias da área da Cultura em todo o Brasil.

Blog do Creative Entrepreuneur: pra quem lê em inglês uma boa opção é o blog da empreendedora americana Lisa Sonora Beam. Ela escreveu um livro chamado "The Creative Entrepreuneur" do qual falarei em breve, e em seu blog dá dicas bem legais de como desenhar suas idéias e conseguir realizá-las. 
ABCR: apesar de ser voltada pro setor social, as notícias da Associação Brasileira de Captadores de Recursos são sempre muitos úteis pra nós do setor Cultural também. Apresentam notícias sobre cursos, Editais e tem uma seção de downloads com bastante coisa interessante.



Results On: voltada a assuntos sobre empreendedorismo, start ups, tecnologia, tendências, mas écom textos curtos e sempre boas dicas. Acho importante sempre termos na lista opções que não são exatamente do nosso setor, mas que podem ser repensadas e aplicadas nele. É um bom jeito de tentar pensar diferente, ou como dizem, fora da caixa.

E é claro, não deixe de incluir o próprio blog Acesso e a Espaçonave, através do RSS ou do meu Twitter. E se tiver sugestões de outras fontes, conte pra mim! Em breve, mais listas como essa!


Eles jogam nas 11 #1

Uma característica importante de qualquer empreendedor, seja ele artista ou não, é sua capacidade de se envolver em diversos projetos de uma só vez, muitas vezes assumindo diferentes funções em cada um deles. Empreendedores são pessoas curiosas por natureza, e talvez por isso, quando não tem conhecimento sobre um assunto, pesquisam até o ponto de se tornarem fluentes nele, caso seja preciso. Outras vezes, quando não possuem uma característica ou competência necessária pra determinada tarefa, correm atrás para adquiri-la. Talvez por isso, muitos de nós saibamos fazer muitas coisas e tudo ao mesmo tempo aqui agora. Confesso que sinto certo preconceito com pessoas que se dão bem em diferentes atividades. Eu mesmo, por diversas vezes, escutei a famosa frase: “mas quem sabe fazer um monte de coisas, acaba que não é bom em nenhuma delas.” Isso não é verdade, e se você é assim como eu, sabe exatamente o que eu estou falando... A maneira de organizar o trabalho nos dias de hoje fez com que as pessoas tivessem que  ser guardadas em caixinhas organizadoras, divididas por competências. Mas e pessoas que tem várias competências, como fazem? São partidas ao meio para serem guardadas? Confesso que às vezes é assim que eu me sinto... Porque na divisão a artista fica numa caixinha e a empreendedora fica em outra. E eu, inteira, fico aonde?

O empreendedor é dotado de capacidade de manter várias bolas no ar ao mesmo tempo, como um malabarista. Mas no empreendedor da área artística essa capacidade muitas vezes é exercitada por necessidade. Quem de nós não se sente assim de vez em quando? Um malabarista? Seja por vontade, capacidade ou necessidade, nós aprendemos a jogar em várias posições ao mesmo tempo. A gente lança a bola, corre pra fazer o ataque, e depois corre de volta pra defender o gol, quando o time adversário toma a bola.

Em homenagem a esses artistas multi-tarefas, inicio aqui uma lista de 11 deles que jogam nas 11, pra que a gente se inspire a fazer sempre mais e melhor! 



Selton Mello: em entrevista no ano passado à Revista Bravo, ele conta “O Paulo Betti já me disse que entrei nessa roda-viva de atuar, escrever roteiros e dirigir porque receio o desemprego: ‘você vai ocupando todas as brechas. Joga nas 11 posições. Se fecharem uma porta ali, você abriu outras acolá’. Ele pode estar certo, né?” Na mesma entrevista Selton conta que a suposição de Paulo Betti insinua que o ator aprendeu a agir dessa forma depois de ser dispensado da TV quando pequeno. Vale a leitura. 

Miguel Falabella: ele é conhecido por ser workaholic e dormir poucas horas por dia, e  vira e mexe ouvimos falar de um novo projeto em que está envolvido. Se contar direito, é capaz de descobrirmos que Falabella atua em mais do que 11 posições. Ele é ator, autor e diretor (de teatro, cinema e TV), produtor de projetos diversos, e já se aventurou como adaptador, apresentador de TV, cronista, dublador, gestor da Rede Municipal de Teatros do Rio de Janeiro e acreditem, carnavalesco da Império da Tijuca. Sobre sua capacidade de atuar em várias vertentes Falebella disse em entrevista à revista Go’Were, entitulada Fala Belo: “Outro dia saiu uma discussão sobre a inconveniência de atores que não são cantores. Eu disse: meu querido, só no Brasil tem essa bobagem, porque Lauren Bacall e Katharine Hepburn foram para a Broadway.” Se precisa cantar, ele vai lá e aprende! Pra ler, a entrevista está no site do multiartista.
 
Marcelo Tas: atualmente na TV aberta com o CQC da Band, Tas tem uma longa história profissional, que inclui trabalhos como ator, apresentador, jornalista e escritor, mas sua trajetória inclui outras tantas peripécias. Ele é o que podemos chamar de artista multimídia, pois se expressa de diversas formas, falando para públicos distinstos. Em 89 por exemplo, Tas concebeu uma instalação multimídia entitulada TV Mundial para uma mostra internacional no Rio. Já no final de 2009 lançou “Nunca antes na história desse Pais”, livro que organizou a partir de frases do presidente Lula. De tecnologia à política, ele bate um bolão. 

Carla Camurati: após uma premiada carreira como atriz de cinema e televisão, nos anos 80, ela lançou-se como diretora, produtora, roteirista e distribuidora em 1995, com o longa-metragem Carlota Joaquina - A princesa do Brasil, filme que se tornou um marco da era da retomada da produção nacional. Para empenhar a tarefa, lançou a Copacabana Filmes que encabeça diversos projetos de Carla e suas sócias, em teatro, TV e cinema. Em 2007 assumiu a tarefa de presidir o Theatro Municipal do Rio de Janeiro em plena crise, e lá continua até hoje. 

Suzana Pires: Suzana ficou conhecida do grande público recentemente ao interpretar a personagem Ivonete, na novela das sete “Caras e Bocas”, de Walcyr Carrasco. Alem de atuar, produzir, escrever crônicas e peças teatrais, ela tem uma empresa do setor cultural e até já escreveu livro. O assunto: a difícil e árdua tarefa de empreender em arte. “Artista empreendedor” pretende fornecer ao leitor o conhecimento necessário para aliar a capacidade artística com a capacidade de realização.  Soa familiar, não? 

E você? Joga nas onze? Conhece alguém que joga?


Imagens: 
Selton Melo: divulgação "Meu nome não é Johny"  
Miguel Falabella: divulgação Rede Globo
Marcelo Tas: por Renato Stockler 
Suzana Pires: divulgação Rede Glob


Atenção tripulação, vamos decolar?

Desde quando me entendi por artista e assumi a profissão, faço questão de responder - atriz e bailarina - quando me perguntam o que eu faço da vida. Faço isso em ficha de academia, no consultório médico e onde mais for perguntada. E desde esse período também que a palavra decolar não sai da minha cabeça. Todo final de ano, lá estava ela, entre meus pedidos mais íntimos: esse ano quero decolar! O que decolar significava, na verdade nem eu sabia, mas entre os desejos íntimos de muitos artistas, inclusive eu, poderia estar ser descoberta por um agente de Hollywood, ou ser convidada para estrelar uma novela da Globo. Podia ainda ser indicada à um grande prêmio nacional ou ganhar muito dinheiro, da noite pro dia, sendo miraculosamente escolhida para ser a garota propaganda de uma marca de varejo.

E ano após ano, a palavra não saía da minha cabeça, nem dos meus desejos. E ano após ano eu via que nunca decolava... Aos poucos fui parando para analisar quais eram as minhas reais expectativas como artista, e quais eram as minhas reais possibilidades também. Pensei muito também no significado da palavra decolar. Cheguei a conclusão que minhas reais expectativas são muitas, e minhas reais possibilidades também, mas o foco, ou melhor, a rota é que estava errada. Confesso, não foi fácil! Essa descoberta veio acompanhada de muita frustração, raiva, baixa estima, de pensar em desistir, voltar atrás, pensar em desistir de novo, e voltar atrás de novo. Mas não tinha jeito. Se eu parasse pra pensar o que me faria feliz pro resto da vida, seria fazer arte! E com o pé no chão, percebi que nesse tempo todo de carreira (mais de 15 anos) eu tinha dado voos muito bacanas e significativos, mas acabava não os valorizando porque decolar parecia ser muito mais que isso.

Com o tempo também fui percebendo que essas expectativas gigantescas e equivocadas não eram só minhas. Milhares de outros artistas se veem em um beco sem saída em determinado momento da carreira e se perguntam: e agora? Fazer o que gosto, ou fazer o que dá dinheiro? Acontece que agora descobri, ou melhor, estou descobrindo, que as duas coisas podem andar juntas. Não pensem que isso significa que estou cheia da grana, ou que já cheguei nas coordenadas que gostaria. De forma alguma! Me vejo longe, longe, anos luz da chegada (se é que ela existe!), mas agora consigo imaginar qual rota seguir. O que estava errado? Deixar nas mãos dos outros o controle da nave. Despejar na conspiração do universo todas as possibilidades da minha felicidade profissional.

Agora tenho tentado traçar as rotas (sempre mais de uma delas!), imaginar os caminhos, (sempre muitos!) e as possibilidades (quase sempre infindáveis!). Não se trata de psicologismo barato, acredite! Estou falando de coisa séria, prática, objetiva, de descobrir seus reais desejos, saber como eles podem ser remunerados, tratar de obter as ferramentas para isso ou melhorar as que você já possui, e é claro, partir pra ação. Qual o nome disso? Empreender! Realizar suas ideias, tirá-las do papel, correr atrás dos seus sonhos... De novo repito, câmbio: não se trata de psicologismo barato! Trata-se de agir, operar, atuar, realizar, praticar, mover-se! Trata-se de estar no comando da nave-mãe. Eu já assumi o controle da minha, estou me preparando para o meu primeiro voo, e vou contar aqui como tudo vai funcionar, o que fiz, o que aprendi, e como você também pode tentar. A ideia é que você pegue carona mesmo, aprendendo junto comigo, a cada nova estrela que a gente pousar! Pra que você também assuma o controle da sua nave. E aí, vamos decolar?